A morte está à espreita

Recorte da obra: "Et in Arcadia ego" ( 1637-1638), de Nicolas Poussin (1594–1665).

Isso que estou prestes a fazer tem alguma coisa a ver com a eternidade?
Vai contribuir para que eu conquiste a vida eterna?
São Luís de Gonzaga (1568–1591)



Todos dias, nublados ou de sol, dias de folga ou de trabalho, a morte não tira folga.

Antes mesmo que chegue a nossa vez e, entre os que ficarem vivos, haja lágrimas e palavras de elogio às nossas qualidades, e silêncio sobre nossos defeitos, antes disso, já estamos morrendo um pouquinho a cada instante…

Nas rugas, nas dores, na decadência do corpo que a maquiagem e os filtros não apagam, nem disfarçam, o tempo anuncia que já estamos caminhando para a morte todos os dias…

Pouco importa se caminhamos em ritmo de festa, com frases de otimismo, entretendo-nos para esquecer o que nos aguarda logo à frente. “Então, vamos com festa, aproveitando cada instante!”, dirão alguns…

Mas será que a questão é como desfrutar melhor o intervalo entre o nascimento e a morte? E se a questão for sobre como estar pronto para morrer?

Não custa lembrar aquela advertência de Jesus: “Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12:20).


Por Noeme Rodrigues de Souza Campos.
Publicado originalmente no website da Editora Ultimato, em 26 de novembro de 2020.


Nota da editoria:

A imagem da capa é um recorte da obra: “Et in Arcadia ego” (1637-1638), de Nicolas Poussin (1594–1665).

Sobre a pintura: A pintura retrata homens contemplando um túmulo sobre o qual está inscrita a expressão latina Et in Arcadia ego (“Mesmo na Arcádia, eu estou presente”), lembrando que a morte acompanha todos os seres humanos, mesmo em meio à prosperidade, à beleza e às alegrias da vida.




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